Uma Observação Estruturada e Padronizada
O diagnóstico precoce de uma Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) apresenta uma importância crucial na avaliação detalhada da sintomatologia, permitindo o desenvolvimento de estratégias de intervenção de maior eficácia terapêutica.
Nesse sentido, a Autism Diagnostic Observation Schedule (ADOS-2) e a Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R) são os dois instrumentos de referência, os chamados gold standard, para avaliação e diagnóstico da PEA.
A ADOS-2 é uma ferramenta de avaliação de observação semiestruturada, onde o examinador, durante 40 a 60 minutos, aplica um conjunto de atividades, analisando, fundamentalmente, o comportamento do sujeito. Pode ser administrada a partir dos 12 meses até à idade adulta.
Esta escala envolve um protocolo de avaliação padronizado, que, com recurso a um kit de materiais, avalia a interação social, o uso imaginativo de materiais e os comportamentos restritos e repetitivos.
Encontra-se organizada em cinco módulos distintos, escolhidos com base na idade e no nível de desenvolvimento da linguagem:
- Módulo T – Destina-se a crianças entre os 12 e os 30 meses de idade que não usam, de maneira consistente, frases no discurso.
- Módulo 1 – Dirige-se a crianças a partir dos 31 meses que não utilizam, de forma consistente, um discurso com frases.
- Módulo 2 – Foca-se em crianças de qualquer idade e com um discurso com frases, mas que não são fluentes verbalmente.
- Módulo 3 – Avalia crianças e jovens adolescentes (menores de 16 anos) que tenham uma linguagem expressiva fluente.
- Módulo 4 – Observa adolescentes e adultos, com uma linguagem expressiva fluente.
Os resultados na ADOS-2 decorrem da codificação atribuída aos comportamentos observados e que faz parte de um algoritmo de diagnóstico, sendo contabilizada a presença de sintomas específicos do espectro do autismo e respetivos níveis de severidade.

Quem pode aplicar?
A ADOS-2, devido à sua complexidade de administração e interpretação, requer um profissional com formação especifica na sua certificação, assim como experiência comprovada na área da PEA.
Sinais de Alerta Principais (Infância):
– Dificuldade em responder ao nome;
– Atraso no desenvolvimento da fala ou perda de palavras que já dizia.
– Ausência de sorriso social;
– Reduzido contacto visual;
– Parecer alheado ou “estar no seu próprio mundo”;
– Dificuldade em partilhar a atenção, não usando gestos (apontar);
– Reduzida expressividade facial;
– Ausência de brincadeira funcional ou imaginativa;
– Momentos de isolamento social;
– Dificuldade em interagir com outras crianças;
– Presença de movimentos repetitivos (estereotipias): rodar objetos, alinhar brinquedos, balançar o corpo, mexer repentinamente as mãos (entre outras);
– Sensibilidade sensorial (reações a sons, luzes, cheiros, texturas ou dor);
– Forte necessidade de uma rotina diária estruturada;
– Reduzida tolerância à alteração de rotinas;
– Interesses restritos e intensos;
Sinais de Alerta Principais (Adolescência e idade adulta):
– Dificuldades na comunicação social e interação espontânea;
– Evitamento social;
– Dificuldades em manter amizades;
– Interpretação literal da linguagem (dificuldade em entender metáforas).
– Necessidade de uma rotina estruturada e dificuldade em adaptar-se a mudanças;
– Dificuldades na resolução de problemas simples;
– Linguagem peculiar ou literal;
– Hiperfoco em tópicos específicos e pouco usuais.
Referências
Lord C, Rutter M, et al (2012). Autism Diagnostic Observation Schedule, Second Edition (ADOS-2). Torrance, CA: Western Psychological Services
Lord C, Rutter M, et al (2011). ADI-R Entrevista para el Diagnóstico del Autismo – Edición Revisada. Madrid: Hogrefe TEA Ediciones.
American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders(5th ed.). Washington, DC.
Ozonoff S, Iosif AM, Baguio F, et al. A prospective study of the emergence of early behavioral signs of autism. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 2010; 49: 256–66.
Elsabbagh M, Johnson MH. Getting answers from babies about autism. Trends Cogn Sci 2010; 14: 81–87.
Zwaigenbaum L, Bryson S, Lord C, et al. Clinical assessment and management of toddlers with suspected autism spectrum disorder: insights from studies of high-risk infants. Pediatrics 2009; 123: 1383–91.


