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Sala-3

Integração sensorial e aprendizagem

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Sala-3

Integração sensorial e aprendizagem

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O processo de aprendizagem é complexo e multifacetado, e envolve não só as funções cognitivas, mas também a capacidade do cérebro em realizar um processamento sensorial eficiente. 

A integração sensorial desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil, pois permite que a criança compreenda e interaja com o mundo ao seu redor. 

Quando surgem dificuldades neste processo, a terapia ocupacional auxilia na melhoria das respostas adaptativas e promove uma aprendizagem mais eficiente.

O que é a integração sensorial?

A integração sensorial refere-se a capacidade que o cérebro tem de processar, integrar e organizar informações sensoriais vindas do corpo (visão, audição, olfato, paladar, tato, propriocepção, sistema vestibular e interocepção) e do ambiente, o que permite respostas adequadas e adaptadas às exigências do contexto. 

Quando este processo ocorre de maneira eficiente, somos capazes de explorar, compreender e interagir com o mundo. O nosso cérebro consegue utilizar as sensações recebidas para formar percepções, comportamentos e aprendizagens.

Importância da integração sensorial na infância

A integração sensorial na infância é essencial, sendo uma base para a aprendizagem académica e para o comportamento social. 

Desde bebés, o cérebro das crianças está constantemente a receber informações sensoriais, o que veem, ouvem, cheiram, tocam ou sentem com o corpo. Quando o cérebro consegue organizar bem todos estes estímulos, a criança sente-se segura, confortável e pronta para explorar o mundo.

Durante os primeiros anos de vida, especialmente até aos 7 anos, o cérebro funciona predominantemente como uma “máquina de processamento sensorial”. É como se fosse uma grande central de controlo que ajuda a criança a saber onde está o seu corpo, a reagir ao que se passa à sua volta e a adquirir novas aprendizagens.

Qual a relação da integração sensorial com a aprendizagem?

A aprendizagem está diretamente ligada ao funcionamento do sistema nervoso. Quanto mais integrados estiverem os sistemas sensoriais, mais eficiente será a aprendizagem. 

Cada um dos sistemas (visão, audição, tato, propriocepção e o sistema vestibular) desempenha um papel único no desenvolvimento cognitivo e motor da criança.

  • Visão: O sistema visual é essencial para muitas atividades diárias, como jogar à bola, cortar com a tesoura, desenhar e copiar.
  • Audição: O processamento auditivo permite captar instruções verbais, associar sons a letras, diferenciar sons e interpretar palavras.
  • Tato: É fundamental para a regulação emocional, consciência corporal e aquisição de conceitos como texturas, forma e tamanho. Este é o primeiro sistema a desenvolver-se no útero e contribui para o equilíbrio geral do sistema nervoso.
  • Propriocepção: Refere-se à consciência corporal e é essencial para movimentos coordenados e ajuste da força em atividades. Em conjunto com o tato, constrói a consciência corporal e é a base para um bom planeamento motor. Crianças com má organização proprioceptiva dependem muito da visão para realizar tarefas.
  • Sistema vestibular: Responde à força da gravidade, regista a posição do corpo e ajuda no equilíbrio e na postura. Contribui para a percepção corporal e para a especialização dos dois lados do cérebro.
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Quais os prejuízos da integração sensorial ineficiente?

Quando a integração sensorial é ineficiente, o cérebro enfrenta desafios para organizar e interpretar estímulos, o que torna a vida comparável a um “engarrafamento em hora de ponta”. 

Embora ninguém consiga integrar sensações de uma forma perfeita, falhas neste processo podem impactar muitos aspectos da vida. 

Por exemplo, durante uma atividade de pintura na sala de aula, a criança precisa de integrar múltiplas informações sensoriais em simultâneo: visuais (ver o papel e desenho), táteis (segurar o lápis), auditivas (ouvir instruções), proprioceptivas (ajustar a força da mão) e vestibulares (manter o equilíbrio). 

Quando estes sistemas trabalham de forma integrada, a criança realiza a atividade com sucesso. Porém, dificuldades no processamento sensorial podem resultar em problemas de atenção, motricidade fina, controlo postural, planeamento motor ou regulação comportamental. 

Quais são os sinais de alerta?

Quando o cérebro tem dificuldade em organizar estas informações, a criança pode sentir-se confusa, frustrada ou desconfortável. Isso pode dificultar a aprendizagem, o comportamento ou a forma como brinca com outras crianças.

Aqui ficam alguns sinais a que deve estar atento:

  • Hiperreatividade – evitamento ou desconforto ao tocar em certas texturas, rejeição ou desconforto nas atividades da vida diária (ex. tomar banho, mudar a fralda, cortar as unhas ou o cabelo, recusa em experimentar novos alimentos ou determinadas peças de roupa), medo de atividades com movimento (ex. andar de baloiço, subir escadas ou superfícies irregulares); incómodo com ruídos comuns ou luz;
  • Hiporreatividade – alta tolerância à dor, falta de reação a estímulos comuns, aparenta não ouvir certos sons (ex. não responde ao nome), procura constante de estímulos fortes (ex. falar muito alto, colocar objetos não comestíveis na boca, agitação excessiva);
  • Custa-lhe manter o equilíbrio ou parece descoordenado;
  • Dificuldade em usar as duas mãos ao mesmo tempo (ex. cortar com tesoura);
  • Pobre imitação; 
  • Dificuldade de fala e linguagem; 
  • Faz birras frequentes e fica frustrado facilmente;
  • Presença de comportamentos disruptivos (ex. empurrar, bater, morder); 
  • Dificuldade em concentrar-se ou prestar atenção;
  • Brincar pouco criativo ou repetitivo;
  • Pobre interação com outras crianças.

Estes comportamentos não significam, por si só, que há um problema. Mas podem ser sinais de que o cérebro precisa de uma ajudinha para processar melhor os estímulos.

[Leia o artigo sobre Apraxia da Fala na Infância]

Como a terapia ocupacional pode ajudar?

Deste modo, a presença destes sinais pode impactar na aprendizagem e no desenvolvimento da criança, sendo necessária uma avaliação detalhada por um terapeuta ocupacional especializado em integração sensorial. 

A terapia ocupacional, com abordagem sensorial, foca-se na resposta adaptativa como catalisador para mudanças. A terapia trabalha no processamento neurológico da informação sensorial como base para a aprendizagem. 

Através de atividades planeadas em conjunto – e controladas ativamente pela criança – que envolvam múltiplos sistemas sensoriais, a criança tem a oportunidade de construir respostas adaptativas, fortalecendo as bases para aprendizagens mais complexas e garante uma melhor qualidade de vida.

A integração sensorial é um processo essencial para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças, formando a base para a construção de competências motoras, emocionais e sociais. 

Quando o processamento sensorial apresenta falhas, as dificuldades resultantes podem afetar significativamente a aprendizagem, o desempenho académico, as relações sociais e o bem-estar emocional da criança, destacando-se assim a importância de identificar e intervir precocemente nestes desafios.

Terapia ocupacional e integração sensorial

 

Referências bibliográficas

Ayres, A. J. (1972). Sensory Integration and Learning Disorders. Los Angeles: Western Psychological Services.

Ayres, A. J. (2005). Sensory Integration and the Child, Understanding Hidden Sensory Challenges. 25th Anniversary ed., Los Angeles: Western Psychological Services.

Serrano, P. (2016). A Integração Sensorial no Desenvolvimento e Aprendizagem da Criança. Lisboa: Papa-Letras

Schaaf, R. C., & Mailloux, Z. (2015). Clinician’s Guide for Implementing Ayres Sensory Integration: Promoting Participation for Children with Autism. Bethesda, MD: AOTA Press.

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Francisca Braga

Terapia Ocupacional

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Cláudia Cecília

Unidade de Saúde Pediátrica de Avaliação e Intervenção, na população infantil e juvenil, nas valências de Terapia Ocupacional e Integração Sensorial, Terapia da Fala e Psicologia.

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